71 casais quilombolas oficializam união por meio do Projeto Justiça Itinerante

A cerimônia foi conduzida pelo juiz coordenador do Projeto, André Gêda Peixoto Melo, no Município de Santana do Mundaú

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A cerimônia foi conduzida pelo juiz coordenador do Projeto, André Gêda Peixoto Melo, no Município de Santana do Mundaú. Foto: Caio Loureiro

O Tribunal de Justiça de Alagoas oficializou, nessa terça-feira (19), por meio da Justiça Itinerante, a união de 71 casais das comunidades quilombolas Filús, Jussarinha e Mariana, do Município de Santana do Mundaú (AL). A cerimônia, conduzida pelo juiz coordenador do Projeto, André Gêda Peixoto Melo, aconteceu na Escola Estadual Manoel de Matos.

De acordo com o magistrado, a realização desse casamento coletivo com o público quilombola é inédita. “Esta é uma parceria do Judiciário alagoano e a Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, que deu certo. Juntos estamos conseguindo levar cidadania para aquelas pessoas que desconheciam seus direitos”, afirmou.

Ainda segundo André Gêda, a Justiça pretende incluir em seu cronograma novos casamentos coletivos para grupos quilombolas. “Somente no ano passado, o Projeto executou 39 atividades em prol da sociedade. Nosso intuito agora é expandir e levar as cerimônias para outras regiões do Estado de Alagoas em que haja comunidades quilombolas”, ressaltou.

O casal Neusa Silva e Claudemir Silva, juntos há nove anos, foram um dos casais que tiveram a união oficializada perante a lei. “Sempre que alguém da comunidade precisava casar era muito demorado, tínhamos que sair de casa e procurar a Justiça. Quando soube que haveria essa ação, ficamos muito felizes. Oficializar o nosso casamento é um momento muito importante em nossas vidas”, disse o noivo.

Para Mãe Neide, sacerdotisa de matriz africana que deu a benção aos casais, através da iniciativa, o Judiciário consegue estreitar os laços com a comunidade. “Há uma dificuldade natural em procurar a Justiça. É importante que se realizem com mais frequência eventos como esse, em que as pessoas entendam a necessidade de entender a Justiça e empoderar-se de seus direitos”, avaliou.

Bárbara Guimarães- Dicom TJ/AL

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