Ações de conscientização marcam Dia Nacional de Luta Antimanicomial

Em alusão ao Dia Nacional de Luta Antimanicomial, celebrado nesta sexta-feira (18), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) promoveu um evento com apresentações de teatro, música, poesia e humor, além de ofertar serviços de saúde, com o propósito de construir, cada vez mais, uma sociedade igualitária, que defende a equidade, os direitos e a dignidade dos indivíduos com transtornos mentais. O evento aconteceu no Calçadão do Comércio, no Centro de Maceió.

Em cena, o Teatro do Oprimido do Caps Casa Verde, apresentou ao público situações de opressão em ambientes da escola, do trabalho, em casa e na comunidade, extraindo emoções e reflexões de quem assistiu.

Representando o gestor da Sesau, Christian Teixeira, o secretário executivo de Ações de Saúde, Paulo Teixeira, destacou que o evento serviu para romper com a cultura manicomial e com todas as formas de opressão social, para construir possibilidades de convívio com as diferenças, visto que é essencial, em uma sociedade democrática, prezar pelos direitos humanos.

“Essa luta é muito justa porque traz o paciente com problemas mentais para o seio da família, para a humanização, para o convívio social, a fim de que ele seja adaptado, ao máximo possível, dentro de uma sociedade onde ele pode ser muito útil”, destacou. Isso porque “o cuidado e o acompanhamento dessas pessoas, sem excluí-las do convívio familiar e social, é capaz de permitir que esses indivíduos adotem e mantenham estilos de vida saudáveis”, completou.

Para Berto Gonçalo, supervisor de Atenção Psicossocial da Sesau, o 18 de maio é um importante marco na história da reforma psiquiátrica, que repercutiu em todo mundo. O movimento, segundo ele, produziu uma modificação na forma de assistência prestada aos doentes mentais, o que ocasionou uma transformação dos saberes e práticas prestadas pela assistência psiquiátrica clássica.

“A reforma psiquiátrica veio modificar os serviços prestados aos doentes mentais de forma gradual, trazendo uma atenção mais humanizada ao sujeito, ao qual deveria ser visto de forma integral, onde o todo não pode ser separado das partes; levando a garantia de uma inclusão social que é direito de todo cidadão brasileiro”, ressaltou.

Reflexão

 

Segundo Deyse Virgínia Viana, de 21 anos, usuária do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), no bairro Farol, a melhor maneira para diminuir com o preconceito é dar informação à população. É importante, também, deixar claro, sempre, que o falso julgamento e a desinformação sobre doenças mentais, ferem mais que o transtorno mental.

“São pessoas comuns, que desenvolvem atividades como todas as outras. Elas têm muito criatividade quando se expressam e se comunicam por meio de alguma arte. A sociedade precisa enxergá-las como pessoas normais, sem preconceito. Portanto, o Dia Nacional da Luta Antimanicomial é um marco e, todos os anos, para mim, é um dos melhores dias, pois consigo contribuir para a garantia da cidadania de usuários e familiares, historicamente discriminados e excluídos da sociedade”, disse.

Serviços

A Sesau também levou diversos serviços de prevenção de doenças e promoção da saúde. A população submeteu-se à verificação da pressão arterial, teste de glicemia e vacina contra a Influenza. Também foi possível receber orientações sobre a saúde bucal e realizar o cadastro para a doação de medula óssea, bem como, o teste rápido de HIV, sífilis e hepatites virais. Além disso, foram distribuídos preservativos masculinos e femininos, lubrificantes íntimos à base de água e panfletos de orientação.

Foi o que fez Genilda Álvaro da Silva, de 46 anos, que aproveitou a ida ao Centro de Maceió para dar uma paradinha e fazer o teste rápido de HIV. “A última vez que fiz o teste foi há 10 anos, por conta de uma cirurgia. Acho que muitas pessoas não fazem o exame por receio, com medo do resultado. Mas, acredito, que tem que ser justamente o contrário: é muito importante descobrir logo”, contou ela.

“A importância desse dia para mim é fundamental, porque a sociedade precisa enxergar as pessoas com transtornos mentais de outra maneira, sem pré-julgamentos, que, na maioria das vezes, são horríveis. Assim que perdi o meu marido, desenvolvi uma depressão e, rapidamente, fui atendida num Caps, onde encontrei todo o suporte para voltar à rotina. Foi difícil ser chamada de ‘louca’ pelas pessoas que você mais ama e não conseguir fazer nada”, completou Genilda Álvaro.

Ascom – 19/05/2018