Bruninho admite: família pressionou Bernardinho a deixar a seleção

Levantador destaca amizade entre seu pai e Renan, mas considera que treinador esperava que Rubinho, seu auxiliar, fosse chamado para substituí-lo na equipe

Com dez anos de experiência na seleção brasileira, o levantador Bruninho, pela primeira vez, não será comandado na equipe pelo pai. Nesta quarta-feira, a Confederação Brasileira de Vôlei anunciou a saída de Bernardinho do cargo que ocupava desde 2001. Campeão olímpico nos Jogos do Rio de Janeiro, Bruno Rezende admitiu que a opinião da família pesou na decisão do treinador de deixar o posto depois de 15 anos. Em entrevista ao “SporTV News”, o  levantador revelou que todos do seu ciclo familiar tentaram influenciar na sua decisão após alguns pequenos problemas de saúde. Além do período na equipe masculina do país, ele também trabalhou com a seleção feminina entre 1994 e 2000.

– Sim, era uma coisa que a gente já vinha conversando. Não só eu, a Fernanda, que é a esposa, e os meus tios, que são irmãos do meu pai. Era o momento que ele precisava disso. Nos últimos anos ele teve uns probleminhas de saúde (…). Depois de tanta pressão, de tanto sacrifício, de tanto sofrimento, de tanta dedicação que ele colocou dentro de quadra nestes anos, entre seleção feminina e masculina, de certa forma a gente pressionou para que ele abandonasse (o cargo). Eu sei o quanto ele deve estar sofrendo ainda porque é um momento complicado, mas a vida vai trazer novos desafios e tenho certeza de que ele vai achar novos caminhos.

Bruninho ressaltou que Bernardinho e Renan, escolhido pela CBV para ocupar o comando da equipe, são grandes amigos. Mas considerou que a opção da entidade de indicar a medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, ao lado de Bernardinho, surpreendeu o seu pai de certa forma.

– Eu conheço (o Renan). Nós fomos campeões juntos em Florianópolis. O Renan tem uma capacidade indiscutível. Ele ficou oito anos sem ser treinador, um fator que pode pegar um pouco. Mas eu acho que é um cara que tem condições de fazer um bom trabalho. Sinceramente, não acho que era a escolha principal do meu pai. Lógico que apesar de ser muito amigo do Renan, não era o que ele imaginava. Acho que a continuação do trabalho seria a entrada do Rubinho, que era assistente dele, era o que ele imaginava. Mas a Confederação achou que era e decidiu assim. Eu, como brasileiro e jogador, vou fazer de tudo para estar lá e representar o Brasil. Espero que o Renan faça um bom trabalho.

Renan Dal Zotto afirmou que somente aceitou o cargo após conversar com Bernardinho e ter a garantia dele que contaria com a colaboração do antecessor na futura missão.

– O Bernardo está sempre atrás da excelência, e se a excelência é quase impossível, digo que ele colocou o pé ali, chegou muito perto (…) A gente fica triste deste momento chegar. Não abro mão que ele esteja junto, prestando uma consultoria, como coordenador técnico ou seja lá o que for, porque é muito importante a participação dele no dia a dia, principalmente neste início de trabalho – disse o novo treinador da seleção masculina de vôlei.

Em entrevista à Rede Globo, Bernardinho afirmou que o abraço que deu em Bruninho após a conquista da medalha de ouro olímpica nos Jogos do Rio foi o momento em que chegou a conclusão que a sua trajetória à frente da seleção estava concluída.

– Não imaginava que aquele abraço fosse tão emblemático assim. Hoje revendo… Era uma conquista que nós queríamos tanto, não só nós dois, como toda essa geração. Ele queria poder ajudar essa geração que já tinha batido na trave tantas vezes. Eu imagino o quanto foi gratificante para ele esse título olímpico. Aquele abraço de certa forma fechou com chave de ouro aquilo tudo que ele representou não só para o vôlei brasileiro, mas para o esporte em geral – afirmou Bruninho

sportv

13/01/2017

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