Com 24 anos de serviço, capitã Luciana é a mais antiga oficial do seu posto

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Capitã Luciana se prepara para o seu último ano na ativa, já que ingressa na reserva remunerada, a aposentadoria do militar, em janeiro de 2017.

A capitã Luciana Leite Sarmento, do Batalhão de Polícia Escolar (BPEsc) é a mais antiga capitã da corporação destacada em unidade operacional em Alagoas. A militar ingressou na corporação no ano de 1992, integrando a primeira turma de oficiais femininas formadas no Estado e, em 2016, contabiliza 24 anos de serviço prestados, praticamente todos nas ruas.

Neste período, a oficial passou por unidades de área e especializadas como Batalhão de Guardas, 4º BPM, Batalhão de Eventos, 5º BPM e a extinta Companhia de Polícia Feminina. Hoje, ela é a responsável pela 2ª Companhia do Batalhão de Polícia Escolar, que foi também sua primeira Unidade, em 1995, quando concluiu o Curso de Formação de Oficiais (CFO).

O BPEsc é responsável pelas atividades específicas de policiamento escolar, com área de atuação na cidade de Maceió, atendendo cerca de 550 escolas cadastradas, das redes municipal, estadual e particular.

“A atividade do BPEsc é voltada a atender à comunidade escolar, executando além do policiamento preventivo, por meio de palestras e campanhas, a articulação comunitária que envolve diretores, membros das unidades de ensino, estudantes, pais e toda a comunidade. Paralelamente, atuamos no policiamento ostensivo geral, dando apoio às ações das demais Unidades e disponibilizando diversas modalidades de policiamento com atuação em todos os bairros da capital alagoana”, esclareceu a oficial.

Sobre os momentos que marcaram a profissão, a capitã recorda uma ocorrência quando estava como Oficial de Operações do 5º BPM e enfrentou uma situação de troca de tiros com criminosos na Grota da Alegria, bairro do Benedito Bentes.

“Era um domingo à noite, véspera do aniversário do meu filho e eu confesso que tive receio de que algo desse errado naquele dia. O grupo acabou conseguindo fugir por uma região de mata e nós retornamos ao patrulhamento. Muitos fatos foram marcantes, mas este ficou na memória”, relatou.

Identificação com a farda

Filha do ex-comandante da PM, coronel Benedito Leite, a oficial admite que sempre teve admiração pela profissão. “Observava o uniforme do meu pai e me imaginava desempenhando aquela função no futuro. Assim que tive oportunidade, ainda muito jovem, prestei o concurso e fui aprovada. Quase não dava para acreditar que a partir de então eu fazia parte daquele mundo que tanto admirava”, recorda Luciana.

Casada e mãe de dois filhos, de 16 e 20 anos, ela comenta que também tem o apoio e a mesma admiração da família diante da profissão que escolheu, o que possibilita que consiga administrar bem as diversas funções que, como mulher, precisa acumular.

Sem experiência de preconceito

Ao recordar sua trajetória na PM, a oficial lembra que apesar das dificuldades enfrentadas inerentes à natureza da profissão, ela não tem memória sobre situação significativa de preconceito que tenha sofrido.

“É claro que a resistência diante da presença da mulher existia, pois a corporação até a nossa chegada era um espaço eminentemente masculino, mas, particularmente, não recordo nenhuma experiência de preconceito que tenha ficado marcada. É claro que isso não é uma realidade para todas, possivelmente outras companheiras tenham experiências diferentes, mas na minha trajetória sempre encontrei o respeito por parte dos homens, acho que tive sorte nessa questão”, acredita, refletindo como a mulher continua cada vez mais conquistando o seu espaço na sociedade, em todas as áreas e funções.

A capitã Luciana se prepara para o seu último ano na ativa, já que ingressa na reserva remunerada, a aposentadoria do militar, em janeiro de 2017.

Agência Alagoas