PF investiga desvios em 70% das cidades de AL

CORRUPÇÃO. Peculato e dispensa ilegal de licitação são alguns dos crimes mais flagrados pelos policiais

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A papelada abarrota duas salas do prédio sede da Polícia Federal (PF) em Alagoas. São volumes e mais volumes que ocupam armários, mesas e até o chão do edifício localizado no bairro de Jaraguá. Os documentos escondem uma cruel realidade: tratam-se de inquéritos abertos para investigar denúncias de corrupção contra gestores alagoanos e funcionários públicos, acusados de malversação de recursos, peculato e outras práticas criminosas que envolvem dinheiro público.

A reportagem da Gazeta teve acesso ao local e, por mais de uma hora, ouviu o superintendente-adjunto da PF no Estado, delegado federal André Santos Costa, que traçou a rota que gestores seguem para dilapidar o patrimônio público e enriquecer ilicitamente. Realidade nacional que é descrita nas linhas a seguir, no mês que marca o Dia Internacional do Combate à Corrupção, 9 de janeiro.

Gestões passadas e atuais estão entre investigadas

Os 102 municípios alagoanos têm ou já tiveram processo de investigação comandados pela PF para apurar desvio e apropriação de recursos públicos, um dos crimes mais praticados contra o patrimônio, segundo André Costa. Mais de 70 cidades têm algum inquérito. Os processos, ele diz, “não são necessariamente das gestões atuais. Às vezes das atuais, outras, das anteriores, mas todas as prefeituras têm problemas de suspeita de prática de desvio de dinheiro público, de corrupção”. Muitos são remetidos para o Ministério Público Federal(MPF).

Segundo André Costa, “foram registrados 1.136 inquéritos, de 2010 a 2015, em todas as prefeituras do Estado. Atualmente, ele revela que estão em curso 348. Do total de inquéritos abertos pela PF em Alagoas, 368 referem-se a crime de peculato (apropriação de bem ou valor cometida por funcionário público), dos quais 75 encontram-se em andamento. Outros 146 são relacionados a crimes contra licitações, estando 61 em andamento; 79 relativos a dispensa ou inexigibilidade ilegal de licitação, dos quais 34 em seguem sendo apurados; 19 por corrupção passiva quando o agente público pede uma propina ou qualquer outra coisa para fazer ou deixar de fazer algo), estando 2 em andamento; outros 53 por corrupção ativa (quando alguém oferece alguma coisa – normalmente, mas não necessariamente, dinheiro ou um bem – para que um agente público faça ou deixe de fazer algo que não deveria); desses, 16 estão em andamento.

Gazeta de Alagoas

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