Porca de estimação toma sorvete e para cidade durante passeio

Charles Siqueira, de 30 anos, mora em Guareí (SP) com a porca Anita. ‘Quando eu chego, fica todo mundo olhando’, conta o trabalhador rural.

Uma vez por mês o trabalhador rural Charles Martins de Siqueira, de 30 anos, costuma levar seu animal de estimação para passear no centro de Guareí (SP), cidade onde mora. Mas o curioso é que, diferentemente da maioria das pessoas, que têm cachorro ou gato, ele resolveu criar uma porca.

O G1 acompanhou o passeio em uma tarde de janeiro e confirmou o que Charles já havia avisado: “Quando eu chego fica todo mundo olhando”. Charles chama ainda mais atenção quando compra um sorvete e oferece à porca de estimação batizada de Anita, também chamada de Dona Nita. “Jogo um pouco no chão para ela se refrescar. Está muito calor, ela também merece”, conta (Veja acima como foi o passeio).

Guareí, cidade de 17,2 mil habitantes, “para” com a chegada do morador e seu exótico animal de estimação. Montado em um cavalo e vestindo chapéu de cowboy, Charles entra na cidade sendo seguido pela porca e seis dos nove cães que cuida. O trabalhador rural assobia para apressar o passo dos sete animais que seguem logo atrás. “São todos mansos, não causam confusão”, garante.

Enquanto passa pelas ruas do centro, Dona Nita faz com que funcionários e clientes de comércios saiam às portas. Eles sussurram e chamam quem ainda não veio à frente: “Olha a porca na rua, venha aqui ver”, dizem. Das janelas das casas aparecem mais curiosos e os celulares são retirados dos bolsos para registrar a passagem. “Porca de estimação só mesmo aqui em Guareí (risos)”, comenta o funcionário público José Maria Pucca, que também fotografou o grupo.

Depois do sorvete, Charles leva Dona Nita para um breve banho na única praça da cidade, em frente à Igreja Matriz. No caminho ele justifica o motivo dela estar suja. “Ela gosta de lama porque protege a pele dela do sol”, diz.

Durante o banho de torneira, o trabalhador rural conta como conheceu Dona Nita, que é  uma porca javali de 3 anos de idade e que pesa em torno de 100 quilos, segundo Charles. “Estava no sítio onde trabalhava junto com meu pai, quando achei ela perdida e desnutrida. Levei ela para o chiqueiro, mas na mesma noite ela saiu e foi para o canil e nunca mais quis dormir em outro lugar. Quando ela era filhote dei leite de vaca por mamadeira, até que um dia ela começou a comer comida sólida. Durante estes meses fui pegando um carinho muito grande por ela. Para mim é o mesmo amor que tenho pelos meus cães, minha gata e meu cavalo Segredo”, explica Charles.

Depois do passeio pelo centro com direito a sorvete e banho, Charles e os animais pegam a estrada de volta para casa. O caminho é longo, quatro quilômetros até o bairro Inhaiva, na zona rural. Mas a demora é grande porque a Dona Nita para em todas as poças de água. “Leva mais de 40 minutos para chegar, porque sempre quando ela vê lama ela para e deita. Aí tenho que ficar assobiando e chamando. Mas eu sou paciente, deixo ela fazer o que gosta”, brinca.

g1

12/01/2017