Protesto questiona UPA no lugar de mini pronto-socorro no Jacintinho

Lideranças comunitárias dizem que qualidade do serviço pode ser afetada. Secretaria defende que mudança é para melhoria do atendimento de saúde.

Lideranças comunitárias e funcionários do Mini Pronto-Socorro João Fireman realizaram uma passeata pelas ruas do Jacintinho nesta sexta-feira (13). O protesto é contra projeto da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de transformar o local em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Eles temem que a mudança prejudique a qualidade do serviço de saúde.

De acordo com Olga Chagas, diretora de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Alagoas (Sindprev), o mini Pronto-Socorro já funciona há 30 anos, e é o maior posto de atendimento do Jacintinho.

“Uma vez que a unidade seja transformada em UPA, o atendimento não será mais como antes. Não vai ter as mesmas especialidades”, afirma Olga.

Procurada pela reportagem, a Sesau informou que a reforma do mini Pronto-Socorro é necessária e irá trzer melhorias ao atendimento à população. A secretaria também reiterou que após a reforma, a unidade passará a ser uma UPA, atendendo a requisitos do Ministério da Saúde (MS), sem prejuízos à população.

A Sesau disse também que a UPA não reduzirá o número de profissionais e leitos, e trará novos serviços como raio-x, eletrocardiograma e laboratório 24 horas. Durante a reforma do mini Pronto-Socorro, o atendimento será deslocado para outro local.

Mas em panfletos distribuídos durante a passeata, os manifestantes dizem que o mini Pronto-Socorro conta com 4 médicos e um dentista 24 horas, enquanto a UPA só teria dois médicos, um para adultos e outro para crianças. Este último não trabalharia à noite. Outras especialidades não seriam oferecidas.

Ainda segundo os manifestantes, o número de leitos também cairia, dos atuais 16 para 11. Um dos funcionários do João Fireman, Daniel Torres, que tem participado das conversas com o governo sobre o projeto, afirma que apesar do tempo e da falta de investimentos, o mini pronto-socorro ainda atende à população de forma satisfatória.

“O prédio precisa apenas de alguns pequenos reparos, pois não está danificado. E para a modalidade de atendimento, a quantidade de médicos é suficiente. Em cada plantão de 12 horas, cerca de 250 pessoas são atendidas”, explica Torres.

Ele afirma também que o Estado tinha um projeto para fazer melhorias no local. “Lá não tem acessibilidade, estacionamento. Do jeito que está, ela não se encaixa em nenhum modelo de UPA. Por que não criar uma uma nova UPA, ao invés de fechar a unidade que já temos?”.

Para o funcionário do posto, Torres conclui dizendo que, se a unidade for transformada em UPA, os médicos remanescentes serão devolvidos à Sesau e remanejados para outras unidades.

Um morador do bairro, o porteiro Luiz Moraes de Barros Junior, também é contra o projeto. “Não aceito a UPA. No ano passado, minha mãe estava doente no Hospital Geral do Estado. Lá ela não teve atendimento e foi transferida para a UPA, onde também não foi atendida. Moro aqui no Jacintinho há 30 anos e não aceito UPA”, afirma.

g1

14/01/2017