Último a votar diz ter inclinação e sofrer pressões; primeiro já decidiu

Ronaldo Lessa recebeu 7,5 mil e-mails pró-impeachment, mas PDT é contra.
Abel Mesquita Júnior se disse ‘surpreso’ ao saber que seria o primeiro a votar.

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Deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL) durante audiência pública na Câmara em junho de 2015 (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

A um dia da decisão da Câmara sobre processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o último deputado que votará no plenário, Ronaldo Lessa (PDT-AL), diz estar “inclinado” a se posicionar contra o afastamento da petista, mas relata receber pressões. Já o primeiro na ordem de chamada, Abel Mesquita Júnior (DEM-RR), conhecido como Abel Galinha, tem posição definida – é a favor do afastamento de Dilma.

Os dois, assim como os demais, terão que preparar uma fala de dez segundos para expor suas posições – tempo máximo permitido pela Câmara para que os 513 deputados se pronunciem ao anunciar seus votos.

A ordem de votação é alternada entre parlamentares do Sul e do Norte do país, começando pela bancada de Roraima e terminando pela de Alagoas.

A definição da ordem de chamada provocou polêmica porque governistas temiam que fosse criado um clima “pró-impeachment” se votassem primeiro deputados do Sul, onde supostamente há uma maioria contrária ao governo.

Último
Presidente do PDT em Alagoas,  Ronaldo Lessa disse ao G1 que deve votar contra o impeachment, seguindo a orientação do partido, que fechou questão em defesa do mandato da petista.

“Não sei se até o final da tarde de hoje eu anuncio meu voto. A inclinação principal é votar com a orientação do partido. Mas ainda não decidi. Me preocupo com ruptura de um mandato. Para tirar tem que estar bem calçado de que houve crime. A questão política não pode se sobrepor à jurídica”, disse.

“A posição do PDT é uma das coisas que pesa na decisão. Sou vice-presidente do partido no Nordeste. Sou presidente em Alagoas e sou vice-líder. É uma coisa que o partido coloca: ‘você como dirigente tem que seguir a posição do partido’”, afirmou.

Ele destacou, porém, que a maior parte dos pedidos nas ruas e por e-mail que recebe é favorável ao impeachment. O deputado do PDT contou ter recebido mais de 8 mil e-mails com apelos.

“Se puder ficar com a posição do partido, ainda me é mais confortável. Por outro lado, eu recebi mais de 8 mil e-mails e se você olhar, é 7,5 mil fazendo apelo pelo impeachment. Pelo menos a classe média mais informada é pró-impeachment. Mas a gente não pode pensar assim só”, disse.

O deputado ainda destacou considerar que Dilma é “honesta” e que não vê motivo “jurídico” para que ela seja obrigada a deixar o Planalto. “O cometimento de crime de responsabilidade eu tenho profunda dúvida que tenha ocorrido. Desonesta ela não é. Não concordo com a política econômica, mas não tem alguma acusação de que ela tenha sido corrupta”, afirmou.

O deputado Abel Galinha (DEM-RR) no gabinete dele na Câmara (Foto: Fernanda Calgaro/G1)
O deputado Abel Galinha (DEM-RR) no gabinete dele na Câmara (Foto: Fernanda Calgaro/G1)

Primeiro
O deputado Abel Mesquita já decidiu o seu voto: será a favor do impeachment. Ele diz estar convencido da necessidade de tirar Dilma do cargo devido a “irregularidades” no governo Dilma.

“Ela não tem mais credibilidade para governar. Até o Tribunal de Contas da União condenou as contas da presidente”, justifica.

Ele carrega o apelido de Abel Galinha desde quando vendia na feira galinhas da granja da família.

Em seu primeiro mandato como deputado federal – antes, foi vereador de Boa Vista por dois anos –, o deputado se disse “surpreso” ao saber que seria o primeiro a votar.

“Acho que o destino quis assim”, afirma o parlamentar, que é empresário e dono de uma rede de postos na cidade.

Abel Galinha espera que a sessão no domingo transcorra com tranquilidade e afirma que a sociedade terá que aceitar o resultado decidido pelo Congresso.

Nathalia Passarinho e Fernanda Calgary – G1