Vendas caem e reduzem em 30% o emplacamento de carros em Alagoas

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O feirão de carros promovido na última semana em Maceió possibilitou um aquecimento de vendas para as concessionárias da capital diante da queda na comercialização de veículos novos e seminovos. De acordo com a Federação Nacional de Distribuidoras de Veículos Automotores a aquisição de um automóvel apresentou uma redução de mais de 37% somente nos dois meses anteriores, setembro e outubro.

Se esse dado parece ser representativo para o setor automotivo, para o setor público a baixa nas vendas de veículos também causando impacto. Os serviços de emplacamentos de veículos novos apresentou uma redução de 30% em comparação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, as transferências feitas em transações com veículos usados caíram apenas 7%, o que indica a preferência do consumidor pelo carro usado.

A pouca movimentação da economia no mercado tem abalado o bolso do consumidor, que, mesmo com planos antigos de trocar o carro usado por um carro zero quilometro, tem preferido adiar os planos. A principal queixa é o medo de perder o emprego e não ter como arcar com as parcelas do financiamento.

“Durante algum tempo juntei dinheiro para comprar o carro, mas agora pisei no freio literalmente para não me endividar. A empresa onde trabalho já realizou algumas demissões e temo que isso possa vir a acontecer. Por isso, adiei a compra do meu carro”, disse Jadson Alves.

O modelo do veículo já foi escolhido, agora, mesmo deixando para depois, Alves ainda pesquisa qual a melhor forma de adquirir o carro. “Quero dar uma boa entrada juntando com o carro que já tenho e uma parte em dinheiro. Mas, mesmo assim, quero encontrar um taxa de juros boa, que não suba tanto e acabe pesando ainda mais no bolso”, contou o consumidor.

A estudante Isabele Aliny vem pagando as parcelas do consórcio do veículo há algum tempo, após fazer a escolha por esse tipo de investimento. Ela conta que avaliou bastante as condições de pagamentos e também os juros cobrados em um financiamento bancário.

Aliny afirma que o consórcio ficou bastante atrativo para o seu orçamento e a pretensão é de, no próximo ano, oferecer um lance para resgatar o carro, caso não seja sorteada. “No consórcio não há juros e não precisar dar entrada. Você consegue pagar o veículo em até 60 meses e, como os lances são livres, tem a possibilidade de adquirir o carro antes que o consórcio acabe e ainda pode antecipar as parcelas”, relatou a estudante.

Com retração de até 50%, empresas oferecem vantagem para chamar o cliente em AL

A tática de mercado das empresas tem sido oferecer o máximo de vantagem para o cliente em busca de consolidar a venda. No feirão ocorrido no Centro de Convenções, as concessionárias alagoanas ofereceram taxas de juros mais baixas, além de um financiamento descomplicado.

Na concessionária Nissan, localizada no bairro do Farol, a gerência decidiu oferecer o emplacamento grátis para chamar ainda mais a atenção do cliente. O gerente geral do estabelecimento, Diogo Holanda, mostra que as vendas sofreram um impacto muito grande deste janeiro e chegou a apresentar uma retração de 50%.

“Antes vendíamos em média 60 carros por mês, atualmente não chegamos a 30. Esse é um cenário visto em todo o mercado diante dessa crise”, disse ele.

No corredor comercial da Avenida Fernandes Lima alguns prédios onde funcionam pequenas concessionárias estão com placa de aluga-se, outros até mesmo já fecharam as portas. Holanda afirma que os consumidores ficaram assustados com a dimensão da propagação da crise e se sentem incentivados a evitar novos gastos.

Segundo o gerente da Nissan, mesmo com o atrativo na negociação, os clientes continuam optando por levar um carro usado para casa. “A diferença tem sido muito pouca entre a venda do carro novo para o usado, mas, mesmo fazendo essa comparação, o carro usado está tendo uma maior saída”, descreveu o gerente.

Esse mesmo impacto nas vendas não tem sido sentido, até o momento, na concessionária autorizada da Honda em Maceió. A gerente Silerne Santos conta que as vendas se mantiveram nos últimos meses, apesar da retração da economia. A média de saída tem sido entorno 90 a 100 por mês.

Silerne comentou que a situação no setor não é agradável para outras representantes de marcas no país, que tiveram fazer demissões e até mesmo diminuir a produção. “Até o final de outubro nós conseguimos manter a nossa média. No entanto, estamos sentido o mercado para os próximos meses, porque essa crise não irá passar agora nem tão no próximo ano. Então, nós estamos torcendo que esse patamar seja mantido”, disse ela.

Crise empurrou passageiros para transporte público e fez cair emplacamentos

Paralelamente à crise nas vendas de automóveis, a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Maceió (SMTT) vem registrando aumentos significativos no número de passageiros de ônibus na capital. Somente para ter uma ideia da circulação de usuários do transporte público, no mês de outubro mais de 8 milhões de pessoas passaram pelas catracas dos coletivos.

Esse aumento, segundo a coordenadora da Câmara de Compensação do órgão, Antônia Gomes da Silva é avaliado diante das melhorias da oferta do serviço de transporte, como a implantação da faixa exclusiva para ônibus. “Quanto mais ofertamos melhorias no transporte de ônibus, mais as pessoas irão buscar essa locomoção como alternativa”, disse ela.

Os dados são considerados os melhores de aumento de usuários de ônibus em Maceió quando comprado há registros dos últimos 10 anos.

Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran-AL) mostram uma redução de 30% de novos emplacamentos de carros em Alagoas, no ano de 2015, em comparação a 2014. Ano passado foram registrados 57.746 novos emplacamentos, enquanto esse ano foram 39.637.

A transferência de titularidade de automóvel foi a que menos sofreu impacto, com uma redução de 7%. O Superintendente Operacional de Trânsito, José Willams da Silva, comenta que a baixa de vendas de veículos foi sentida pelo órgão através da redução no número de atendimento nas unidades espalhadas pelo Estado.

Segundo ele, o Detran tem oferecido um serviço dentro da demanda existente e tem consigo com folga executar. Além disso, o órgão poderá sentir uma redução em sua receita com abaixa desses serviços, o que nesse momento, de acordo com Willams ainda não tem sido avaliado.

Apesar desses números baixos, o Detran tem registrado um aumento nos atendimento para licenciamento e vistoria. O licenciamento é um procedimento anual e obrigatório que autoriza o veículo a circular pelas vias. Esse ano já foi realizado mais de 205.273 licenciamentos, um crescimento de 12%. Já as vistorias tiveram um aumento de 9%.

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